Boa Noite, galera!
Temos novidades para partilhar sobre o espetáculo!
Infelizmente, nosso sonoplasta Edu Correa deixou a equipe para realizar outros trabalhos. Gratidão, Edu, pelo tempo e pelo esforço dedicados a esse projeto e saiba que te desejamos todo o SUCESSO do mundo nas trilhas escolhidas.
MAS...
Agora temos um espetáculo realmente inclusivo, pois conseguimos uma interprete de LIBRAS. Ela se chama Andrea Pinheiro.
Por causa dessa alteração na equipe, a peça ganhou uma reformulação. Quem esteve presente na estreia, pode ir de novo que certamente terá novas sensações!
E nossa reestreia já tem data. É esse sábado, dia 23/4, às 20:30, no Teatro ENCENA. Rua Sargento Estanislau Custódio, nº 130 - Vila Sônia - São Paulo.
Outra novidade é que conseguimos remarcar a apresentação no CITA (Cantinho da Integração de Todas as Artes). Será dia 14/5, às 20 horas. (Endereço: Rua Aroldo de Azevedo,
20 – Campo Limpo / Zona Sul – São Paulo – SP).
Agradecemos aos nossos apoiadores:
Abraços e esperamos vocês.
Nascemos da fonte inigualável, inspiração Somos das artes E a elas reverenciamos nossos últimos desejos. A Sacerdotisa e seu Guardião. A Flor e seu Caule. A Onda e seu Mar A Correnteza e seu Leito. A Lua e seu manto noturno A Mulher e seu Homem A Arte que nos completa e se partilha!!! (imagem: Lua Rodrigues Texto: Edgar Izarelli de Oliveira)
quinta-feira, 21 de abril de 2016
sexta-feira, 11 de março de 2016
Cancelada a apresentaçlão do dia 12/3
Sentimos muito em informar, mas a apresentação no CITA, dia 12/3, está cancelada devido a problemas de saúde em nosso elenco. A Lua contraiu uma virose forte e não estará em condições de representar amanhã. Pedimos perdão ao nosso público. Estamos desde já trabalhando para um reagendamento no local. É da nossa vontade estarmos no CITA para mostrar nossa arte! Aguardem novidades! E dia 23/4, às 20:30, nós estaremos no TEATRO ENCENA!
GRATIDÃO PELA COMPREENSÃO!
Edgar
Sobrer apresentação do dia 12/3
Gente, ocorreu um imprevisto. Lua está doente. Não sabemos se ela estará em condições de apresentar amanhã, estamos tentando comunicação com o espaço para verificar a possibilidade de reagendamento!
Mandamos noticias!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Espetáculo "O Brilho de uma Alma"
Boa tarde, galera!
É com grande prazer e enorme expectativa que convidamos a todos para as apresentações do espetáculo teatral "O Brilho de uma Alma"!
Temos, por enquanto, duas apresentações marcadas.
A primeira será no Espaço Cultural CITA (Endereço: Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Campo Limpo / Zona Sul – São Paulo – SP), no dia 12/3 às 20:00 horas.
A segunda, no Teatro Encena (Rua Sargento Estanislau Custódio, 130 - Jd. Jussara- Vila Sônia - São Paulo - SP), no dia 23/4 às 20:30.
Ambas as apresentações terão ENTRADA GRATUITA com CONTRIBUIÇÃO VOLUNTÁRIA para ajuda de custo e reconhecimento do trabalho dos artistas e equipe!
Aguardamos a presença de todos!
Abraços!
Agradecemos aos parceiros:

É com grande prazer e enorme expectativa que convidamos a todos para as apresentações do espetáculo teatral "O Brilho de uma Alma"!
Temos, por enquanto, duas apresentações marcadas.
A primeira será no Espaço Cultural CITA (Endereço: Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Campo Limpo / Zona Sul – São Paulo – SP), no dia 12/3 às 20:00 horas.
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| Fachada do Espaço Cultural CITA |
A segunda, no Teatro Encena (Rua Sargento Estanislau Custódio, 130 - Jd. Jussara- Vila Sônia - São Paulo - SP), no dia 23/4 às 20:30.
(Fachada do teatro Encena)
Ambas as apresentações terão ENTRADA GRATUITA com CONTRIBUIÇÃO VOLUNTÁRIA para ajuda de custo e reconhecimento do trabalho dos artistas e equipe!
Aguardamos a presença de todos!
Abraços!
sábado, 12 de dezembro de 2015
Sobre a Estreia do espetáculo “O Brilho de uma Alma”
Eu poderia dizer muito sobre a minha emoção de pisar
novamente no terreno sagrado – o palco do Teatro Popular Solano Trindade (que
acolheu há três anos, a minha estreia como ator no espetáculo “O Salto Quântico”)
- agora para mostrar ao mundo o que eu pude fazer de melhor com o que existe dentro
de mim; mas, sobre isso, só tenho uma breve frase a ser dita, que é: - O
trabalho foi grande, mas a satisfação foi mil vezes maior. Agradeço à equipe
que tornou esse sonho possível.
Ver o teatro lotado é uma sensação arrepiante para qualquer
ator. Agradeço imensamente a cada um dos espectadores presentes. Agradeço mais
uma vez a quem ficou para a roda de conversa sobre inclusão no final da peça. E
lembrando que era por cada um dos expectadores que estivemos ali, na noite de 28/11/2015
e que uma das políticas fundamentais da EdLua.Artes é dar voz ao público,
considero justo deixar ás pessoas que estiveram presentes a narração do que
viram e sentiram.
PS: O espetáculo ainda não tem data e local definido para
acontecer novamente, mas haverá outras apresentações no decorrer do ano que vem.
Fiquem atentos!
Um abraço
Ed
“Muito obrigado por todos que me proporcionaram uma noite de
pura liberdade de reflexão, de transportar meu em outro eu, senti a peça, eu
sendo um limitado observador, do seu movimento universo Edgar. Fiquei
completamente inundado da comunicação verbal-não-verbal, vi você, sua história
do viver e da sua companheira arte na comunicação da provocação de todos são
iguais e todos temos nossas eficiências... Que Deus Sempre Ilumine esse teu
projeto Edgar
Izarelli de Oliveira... Sucesso neste seu caminho...”
Charles Brait
“Acompanho as poesias e as
performances desse casal de artistas pelas redes sociais. No entanto, vivenciar
a arte e os sentimentos ao vivo, no espetáculo " Brilho de uma alma",
superou toda a expectativa!!!!
A peça é tocante! Não tocante como as coisinhas
fofas e emocionadas!! Tocante, chocante e emocional!
A platéia se desnuda de toda pré-concepção do
que é ser uma pessoa com deficiência!! Até porque, todos nós, em corpo e alma, temos
nossas deficiências!!! O banho na alma é certeiro!!! Meu choro foi livre, e
minhas palmas sinceras! Do começo ao fim, do momento único ali vivido!
GRATIDÃO!!!”
Monique Morais
“Foi bem mais do que um espetáculo poderia
proporcionar. A forma como os personagens quebram as expectativas do público
presente, unindo-os para que os sentimentos que estão transmitindo não fiquem
no ar, mas sim no corpo, na alma e na mente de quem estava(está) ali presente.
A união do corpo e da alma está além do que poderíamos imaginar, um está preso
ao outro e por incrível que pareça não se comunicam como gostariam, mas
convivem e vão lutando juntos, se libertando das ilusões e superando os
julgamentos, os olhares de misericórdia, já que o corpo não é nada sem a alma e
alma precisa de um corpo, seja ele como for, é aí que o espetáculo cutuca de
uma forma sutil e poética essa nossa sociedade cheia de preconceitos e falsos
sentimentos. Olhar para si e para os outros é o que é pedido e se colocar nas
mesmas condições, sem pena, mas para que possa viver aquele momento único e
especial, refletir sobre a existência da vida e de tudo que existe ao nosso
redor, não apenas com os olhos, pois nos foram concebidos 5 sentidos e não
apenas 1 o da visão. Sou muito grato por ter assistido esse espetáculo, pois
aguçou os meus sentimentos e sentidos, hoje escrevo para os artistas que
fizeram tudo isso acontecer, essa explosão de emoções em que o corpo é o túnel
e a alma é a luz do túnel e que para enxergar tudo isso é necessário fechar os
olhos e deixar que EDLUA os guie. ' Parabéns pela produção!”
Marcos Rodrigues
Um espetáculo.
Uma experiência orgânica e extremamente sensível. Naquela noite, mergulhei nos túneis mais profundos do meu íntimo, nos labirintos tortuosos de minha consciência, na busca pelos motivos da minha existência e pude acessar o cerne da minha essência.
Um verdadeiro espetáculo.
O conflito constante que reside em toda e qualquer limitação foi exposto com tamanha maestria e propriedade - e mais do que isso, essa batalha interna foi exteriorizada com leveza, verdade e muita força de vontade.
Um grande espetáculo.
A ficção fantasiada de realidade (ou seria o contrário?).
A cada palavra proferida, ofereci uma lágrima adormecida; gota d'água salgada, amarga e sincera, tão sincera quanto os aplausos que ardiam nas minhas palmas, palmas, palmas!
Um belíssimo espetáculo.
Eu enxerguei a prisão e a liberdade, a aceitação e a depressão. Eu vi expectativa e realidade, covardia e coragem. Mas acima de tudo, eu enxerguei humanidade.
Um comovente espetáculo.
Inúmeras conclusões foram articuladas na minha pequena caixinha de surpresas, ideias, princípios, paradigmas e sonhos.
Um reflexivo espetáculo.
Nessa história de inclusão eu percebi respeito, mas não percebi igualdade - muito pelo contrário: eu senti um misto de diferença e singularidade. E quanto amor eu respirei... quanta sincronia, quanta paixão ideológica eu provei naquele dia.
Um grandioso espetáculo.
Me iluminei com o brilho de muitas almas. Com a luz da Lua e com a arte do rei poeta em seu trono ambulante...
Esse assunto não deveria ser só poesia ou mera utopia.
Ainda bem que eu olhei pra vocês e enxerguei muito mais:
Homem e mulher
Humano e humana
Macho e fêmea
Almas heteroGÊMEAS
Que espetáculo!”
Cinthia Souza
“Quero agradecer ao Edgar Izarelli de
Oliveira a Lua Rodrigues
e a todos envolvidos no espetáculo "O Brilho de uma alma" que
tive o enorme prazer de presenciar ontem no Teatro Popular Solano Trindade.
Obrigado por me permitir reencontrar sentidos que não mais eram evidentes, mas que sempre esperaram por minha atenção de algum jeito...
E de energia renovada e entusiasmo na crença de que tudo é possível, começarei essa semana com o peito cheio de esperança..
Obrigado pelas mensagens e acima de tudo pelo exemplo.
Tamo junto...”
Obrigado por me permitir reencontrar sentidos que não mais eram evidentes, mas que sempre esperaram por minha atenção de algum jeito...
E de energia renovada e entusiasmo na crença de que tudo é possível, começarei essa semana com o peito cheio de esperança..
Obrigado pelas mensagens e acima de tudo pelo exemplo.
Tamo junto...”
Jonatas Arbex Cunha
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| Foto do elenco, momentos antes da estreia |
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Estreia do Espetáculo "O Brilho de uma Alma"
Convidamos a todos para a estreia do espetáculo "O Brilho de
uma Alma" da companhia EdLua.Artes. No dia 28/11, no Teatro Popular
Solano Trindade(Av. São Paulo, 176 - Jardim Silvia –Embu das Artes), às 20 horas! O espetáculo fala, através de uma
linguagem poética, sobre os sentimentos e sensações de uma pessoa com
deficiência. É intenso diálogo, durante o qual a alma mostra ao seu
corpo, triste e confuso pelos olhares estigmatizados dirigidos a ele, a
essência de sua criatividade! Após a peça teremos um momento pra
conversar sobre inclusão!
domingo, 21 de junho de 2015
Renato - Como uma estrela desce à Terra (Perspectiva Materna)
Confirmei a gravidez através de um teste de farmácia,
comprovando que meu corpo, ha
três meses se transformava para abrigar outro. Claro que eu,
como mulher, me percebia diferente antes disso...
Meu marido e eu aceitamos e ficamos assustados, afinal não
tínhamos muito (não que hoje tenhamos alguma coisa) além da vontade de ter um
filho e muito amor pra dar à nossa vida de casal. Eu tinha 18 e ele 24 anos,
decidimos fazer arte juntos e ser artista é “mais ou menos” complicado, além de
ter fé no teu trabalho, você precisa correr atrás e ser bem cara de pau, diga-se
de passagem. Nós amamos o que fazemos e somos isso, não iríamos abrir mão, um
filho seria um orgasmo artístico porque tem muuuito amor envolvido e amor é o
jeito mais gostoso de se inspirar pra novos trabalhos! Sim, estávamos otimistas
e felizes, mas isso depois de pirar um pouco, desacreditando de tudo isso. São
processos de aprendizado.
Eu, aceitei meu corpo e aceitei todas as mudanças que
estavam por vir, já sabia que não seriam poucas, nem fáceis, que bom que eu
nunca gostei das coisas fáceis!
Aceitei também o jeito que meu corpo se adaptava a tudo
isso, foi tudo diferente... Crises emocionais todos os dias, às vezes enjôos, o
aparecimento de marcas para que eu nunca me esqueça o que eu estava me
tornando. Pra mim, tudo isso era magnífico! Nada de sacrifício! Tudo lindo. Era
lindo como meu quadril aumentava, como minha barriga enchia, era lindo até as
estrias que apareciam. De vez em quando, eu me sentia insegura, mas meu marido
sempre me deu a estrutura que toda mulher precisa em fase de “lua cheia”. Ele
repetia sei lá quantas vezes por dia o quanto eu estava linda, o quanto ele me
desejava e como era lindo meu corpo... Eu nunca tive e agora tenho menos ainda
a dúvida de que ele é a pessoa certa pra mim.
Mudamos tudo, além do corpo e do tempo, mudamos a estrutura
de nossas vidas.
Eu passei a morar com meu marido, minha sogra e a mãe dela.
Fizemos um escritório pequeno e engraçado, porque no quarto não cabia mais
nada! Tinha o computador dele, que é indispensável pra nós dois porque usamos
pra fazer divulgação do nosso trabalho, pra receber encomendas e meu marido
escreve suas poesias e livros nele. Tinha a minha mesa com um monte de tintas
(que eu acho pouco), pincéis, potes pra misturar cores, camisetas, moldes de
madeira pras camisetas, telas de pintura e madeiras pra pintura também. O
Quarto era cheio de papéis, roupas e cheiro de tinta, ainda estava por vir um
bebê. Precisávamos de um escritório.
Ganhamos uma cama de casal que ocupou ainda mais espaço, sem
dúvidas era melhor do que dormirmos espremidos na cama de solteiro!
Começamos a planejar o parto. Aí ficou tenso.
Eu queria desde sempre um parto humanizado, o mais singelo
possível, em que eu não precisasse ficar presa numa cama de hospital onde
ninguém se importa com o meu estado emocional, que é o que faz a REAL diferença
num trabalho de parto.
Sim, eu queria um parto de índia. Queria agachar, empurrar
meu filho e sair andando com ele, o amamentando e muito feliz com sua chegada.
Minha mãe se assustou, teve medo de eu morrer no meu parto
por ser inconsequente ou pior, do meu filho morrer por falta de assistência
médica e de intervenções necessárias. Meu pai teve o mesmo medo, claro. Eu já
imaginava.
Todos estranharam minha escolha, mas todos me conheciam:
Quando eu “botava” alguma coisa na cabeça, não tinha quem tirasse!
Aos poucos, fui mostrando vídeos de partos domiciliares, fui
evidenciando algumas coisas, alguns procedimentos hospitalares que eram
extremamente desnecessários em gestações saudáveis e até em gestações de risco.
Intervenções que agrediam o corpo da mulher, o corpo do bebê e a saúde mental
dos dois, o que deveria ser preservado em primeira instância!
Aprendi ou Reaprendi que o meu corpo é capaz de gerar e de
parir um bebê, que eu teria passagem pra ele no tempo DELE, que eu sentiria
dores, que seria rápido ou não, que minha bolsa iria romper ou não, que ele
choraria assim que saísse de mim ou não, que eu teria cortes na vagina, devido
à passagem do bebê ou não (e que cicatrizaria bem mais fácil e menos dolorido
do que uma episiotomia). Bom, eu só precisava parir.
Toda gestante deveria ter a sua, independente do parto
desejado... A minha foi uma iluminada, parece que tinha a personalidade que eu
precisava naquele momento: calma, super atenciosa, super dedicada e de uma
energia linda. Ela sempre soube o que dizer e quando dizer. (GRATIDÃO <3)
Com ela veio a equipe, as enfermeiras, duas igualmente
lindas, que me auxiliaram e me ensinaram muito sobre confiar em mim que eu
saberia o momento certo das coisas acontecerem.
Fiz meu plano de parto, preparei o quarto pra receber meu
filho, preparamos a casa pra chegada dele. Fiquei impressionada com o tanto de
coisas que são necessárias para um parto domiciliar, de fato usamos tudo. Eu e
meu marido estávamos muito felizes e com 39 semanas começamos a ficar
ansiosos...
Dia 7 de Abril foi aniversário do meu amado, e na madrugada
do dia 8 vieram contrações. Eu nunca tinha sentido, não tive contrações de
treinamento, se tive nem percebi. Ficaram todos eufóricos e decidimos chamar a
doula, Aline Tarraga.
Eu sentia que não era hora ainda, mas a ansiedade é tamanha,
até atrapalhou.
Não era, de fato. Aline me deu um chá de camomila, ela
percebeu que eu estava um pouco estressada e ansiosa, depois foi embora.
Passamos UMA SEMANA achando que eu iria entrar em trabalho
de parto de madrugada, agora isso é muito engraçado, mas Ed e eu sabemos o
quanto ficamos tensos... Com o passar dos dias e nenhum sinal diferente, eu
decidi FINALMENTE relaxar um pouco, me desconectar, deixar meu corpo agir sem
aviso prévio. Busquei “ocitocinar” pra ajudar.. Comer coisas que eu gosto,
namorar bastante (SIM, com barrigão de 9 meses), saí pra dar um passeio na
feira de arte com meu marido e meus pais. Na madrugada de domingo, depois de um
dia lindo e proveitoso, comecei a sentir alguma coisa diferente... As contrações
estavam um pouco mais fortes e mais cansativas, me tiravam o sono. Vinham de
cinco em cinco minutos, de três em três, espaçavam, voltavam, mais forte, mais
fraca. Ah que chato!
Eu não dormia, ficava sentada na bola de fisioterapia pra
relaxar e tomava chá de hortelã porque é estimulante, a coisa não anda, tensão
de novo...
Dormi um pouco e acordei com contrações mais doloridas só
que suuuuper suportáveis em comparação ao que estava por vir.
Dormi pouco de novo, as contrações estavam chatas, dando dor
na lombar, não dava jeito pra dormir com a barrigona, o Renato estava de ponta
cabeça, portanto minha bexiga não parava de funcionar. Eu já estava cansada de
esperar, cansada de tomar chá e cansada de estar cansada.
Na madrugada do dia 13 de Abril as contrações FINALMENTE
ficaram mais intensas. Ed e eu contamos elas e estavam com um ritmo bem
marcado, cinco em cinco minutos e com duração entre 45 e 60 segundos. Opa, até
que enfim!
Avisei a Aline e parece que ela sabia (acho que ela sabia) porque
na hora ela disse que estava vindo pra cá. Eu achei estranho porque eu mesma
disse a ela que não era tão necessário que ela viesse ainda, mas ela quis vir,
significa que alguma coisa está diferente. Ela chegou aqui lá pelas 4 da manhã,
super calma como sempre veio sentir as minhas contrações. Eu não quis chá nem
nada, só quis esperar. Todos foram dormir, afinal de contas nada de alarmante
acontecia.
Daí por diante minha cabeça apagou bastante coisa, vou
tentar detalhar o que marcou pra mim.
Comi açaí, a Aline fazia massagem pra aliviar quando as
contrações vinham, eu tirei o vestido que eu tinha dormido, coloquei um top e
duas blusas de frio, sentei na cama e fiquei ali durante o que pareceu pra mim,
um bom tempo. Disse pra Aline: Eu estou tonta, estou estranha. Ela disse que
era normal, eu já estava na partolândia!
Coisa engraçada isso de partolândia, a gente fica parecendo
drogada, não consegue formular frases e faz cara de orgasmo o tempo todo. Além
disso, eu ainda não conseguia manter meus olhos abertos nem prestar muita
atenção na quantidade de coisas que aconteciam a minha volta. Aos poucos isso
tudo foi se apagando e eu só conseguia prestar atenção no meu corpo. Minha mãe
chegou com a minha tia, ouviu um gemido meu e já saiu chorando (isso eu vi!) e
olha que assim que eu a vi eu avisei: “Mãe, eu estou gritando durante as
contrações! Não se assusta.” Não adiantou e eu entendo, se fosse a minha filha
eu também ficaria assustada. A Aline avisou as enfermeiras,
Lembro dela falando com a Babi Bordegatto, uma das
enfermeiras, pelo celular, quando eu comecei a gritar por causa de outra
contração e ela colocou o celular perto da minha boca pra Babi ouvir e logo ela
chegou... “Logo”.
Aí eu já não pedia, eu implorava massagens! Babi fez o toque
pra conferir a dilatação, já que as contrações estavam tão fortes. Eu estava
com 5cm, o que é bom, muito bom! Faltavam 5cm, cada contração me ajudava a
dilatar e a ultima ajudaria meu filho a descer, vamos lá que tá tudo certo!
Eu não me lembro bem o suficiente de como era a dor da
contração, não me lembro porque eu gritava tanto, fiz como as meninas me
orientaram, vocalizar realmente ajuda muito. Gritar na hora em que vinham as
contrações me dava força, eu me sentia no ápice de tudo que já vivi. É
diferente de tudo e gritar é como um instinto que eu tive, uma necessidade.
Nenhuma dor importava, eu só queria que meu filho viesse
logo pra mim.
Cinco horas depois chegou a outra enfermeira, a Bárbara C.
Grande, que fez outro toque em mim pra conferir novamente a dilatação. Para
nossa surpresa e aflição maior: Ainda estava em 5cm!
Primeira coisa que eu pensei: Puta merda! Essas contrações
não estão servindo pra nada? Eu to aqui sofrendo a toa? Ah, agora eu já to aqui
mesmo, não vou sair, não vou pra hospital!
Depois disso as contrações ficaram MUITO fortes, aquele top
e as blusas de frio já não existiam, eu fiquei nua e não quis nem saber!
Em pouco tempo comecei a imaginar uma anestesia bem
bonitinha me tirando toda aquela dor e talvez, quem sabe, até uma cesárea! (AF)
Logo me fortaleci.
Teve um momento em que eu sinalizava que “não” com a cabeça
o tempo todo, sinal de negatividade, eu estava quase desistindo. A Babi chegou
perto e me perguntou por que eu estava “fazendo não”, perguntou se eu estava
desistindo ou algo assim. Em seguida eu comecei a “fazer sim”, não como resposta à pergunta dela, mas, a mim mesma.
Sim, eu consigo. Eu vou ter meu filho aqui, em casa, nós
dois ficaremos bem.
Detalhe, o Renato que é forte igual a mamãe e o papai, não
se cansou nem parou de trabalhar comigo, ele esteve o tempo todo bem!
Meu marido me dava força o tempo todo, eu ouvia palavras de
carinho dele o tempo todo, ouvia palavras de carinho de todos. Uma energia
forte tomava a casa, todos pedindo intensamente para que tudo fluísse da melhor
forma. Foi tão bonito!
Eu ouvia ele me dizer, lá longe como se fosse uma lembrança
distante, que eu conseguiria, que eu era forte o suficiente, que ele confiava
em mim, que todos confiavam. Ele dizia que eu estava linda, que eu deveria me
conectar com a minha ancestralidade, a Aline também dizia. A Babi cantou pra me
acalmar, que coisa linda!
Eu botei na minha cabeça que me deu prisão de ventre de
tanto comer açaí e que isso atrapalharia o parto, que me faria sentir ainda
mais dor. A Aline disse que não, mas eu nem tava escutando meus pensamentos
direito...
Contrações insuportavelmente suportáveis, o pessoal dizia
conseguir ver a cabeça do bebê na minha lombar, eu não queria nem saber! Só
queria fazer cocô logo (eu dou muita risada com isso agora). Eu ia no banheiro
no intervalo das contrações que praticamente não existia mais, começou a sair
sangue, todos ficaram preocupados, mas a Aline, a Babi, meu marido e eu
sabíamos que era normal, eu nem liguei pro sangue na verdade.
Me vinha uma vontade absurda de fazer MUITA força, muita
mesmo, tipo descontroladamente.
Fui tomar um banho, relaxou bastante, mas as contrações não
paravam. A Babi me deu um banquinho pra sentar em posição de cócoras, eu queria
chutar aquele banquinho, só conseguia ficar de pé e olhe lá. Mas eu tentei. Ia
eu ficar de cócoras com aquela dor danada, não durava nem 5seg daquele jeito.
Pediam pra eu ficar em 4 apoios (pior ainda), eu ficava. Só queria que o Renato
saísse.
Comecei a GRITAR MUITO, eu estava exausta, já não tinha tanta
força no meu grito, mesmo assim eu persistia... Aline me perguntou o que
significava aquele grito, eu respondi “força” a ela.
Eu estava dando o máximo de mim, muito mais do que um dia eu
achei que fosse capaz.
Eu estava provando pra mim mesma que eu posso parir, que eu
posso ser mãe, que meu corpo faz isso perfeitamente assim como as minhas
ancestrais faziam.
Nesse momento eu chamei elas, eu chamei toda a minha força
de todas as vidas que eu já tive um dia. Eu me emociono quando me lembro tudo
que eu pensei nesse momento.
Estávamos no banheiro, eu tentando fazer cocô ainda, Aline e
Babi me dando força quando vinham contrações. Eu me levantei e disse com uma
cara de frustrada: o cocô
não sai!
A Babi me disse que queria fazer o toque de novo, pra ver o
que estava acontecendo. Eu não quis, não queria, queria deixar fluir e se ela
conferisse e não estivesse totalmente dilatado eu iria desistir.
Então ela pediu que eu colocasse o meu dedo na vagina. Eu
coloquei, senti uma “coisa diferente”, arregalei os olhos e tirei o dedo
rapidamente.
Ela sorriu e colocou o dedo pra conferir, já estava de
luvas, elas já sabiam!
Olhou pra mim e disse: Seu Renato está aqui! Lua é o seu
Renato!
Aí eu chorei rindo, não acreditava, mas já? Eu que achei que
isso duraria mais uma eternidade... Eu consegui? Só falta empurrar?
Que coisa mais linda! Eu não aguentava mais nada, depois de
ouvir isso parece que a minha energia voltou mais forte do que nunca!
Eu havia declarado no meu plano de parto que queria que o
expulsivo fosse na banheira, foi quase isso, foi no banheiro! No banquinho da
posição de cócoras que eu odiava até então.
Depois de 15h de trabalho de parto, as 21:05.
Todos começaram a encher a banheira o mais rápido que
conseguiam, mas não deu outra, a cabeça do meu Renato já tinha saído pela
metade. Invoquei meus anjos e demônios pra fazer aquela força, senti a cabeça
dele passar e logo em seguida outra força pra passar o corpinho. Eu fiquei tão
feliz, nunca tinha sentido tanto amor, tanta completude, tanta felicidade!
Levantei, entusiasmada com a situação e ploc! A placenta nasceu, simples assim,
como tem que ser. Saí andando com meu Rei nos braços, meu marido se esguelava
de felicidade pelos cantos, isso eu vi num vídeo que fizemos.
Eu só tinha olhos para aquele serzinho lindo de tanta luz...
Toda a dor passou, toda a insegurança, todo medo, ansiedade. Agora era tudo
amor.
Eu, num passe de mágica, sabia segurar um bebê recém
nascido, sabia o amor que tinha por ele.
Eu me transformei, me retorci, e não mudaria absolutamente
NADA! Quero outros filhos e quero que nasçam assim, no tempo deles, do jeito
deles.
Transitei de donzela para mãe, igual a lua, como todo
processo grandioso de evolução nós sentimos dor, sentimos medo. Meu Renato
também sentiu, também trabalhou para nascer. A dor do parto é o que nos faz
entender o que está por vir, nos faz ser forte para isso.
Toda mulher merecia passar por isso, todo pai deveria
acompanhar isso. É único, cada detalhe faz toda a diferença.
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